“A Morte da Razão”, de Francis Schaeffer
Recentemente, comecei a leitura de A Morte da Razão, de Francis Schaeffer, a partir da recomendação de um amigo. Naquela época, eu havia me convertido ao cristianismo e estava em busca de obras que me ajudassem a crescer espiritualmente e a entender a profundidade da minha fé. Já havia lido algumas obras de C.S. Lewis, mas queria explorar outros autores que pudessem contribuir para essa nova jornada. Foi assim que conheci este livro.
Confesso que a leitura foi desafiadora. Fazia tempo que eu não lia algo tão denso e repleto de ideias complexas. Durante várias ocasiões, precisei reler a mesma página várias vezes para absorver o que o autor queria transmitir. Demorei cerca de dois meses para terminar o livro, mesmo ele tendo menos de 200 páginas. No entanto, essa experiência foi transformadora e A Morte da Razão tornou-se um dos livros que certamente revisarei no futuro.
Graça e Natureza: Um Conflito Histórico
Schaeffer apresenta uma divisão que atravessa toda a história da humanidade: graça e natureza.
- Graça: Representa Deus, o Criador, as coisas celestiais e a alma humana.
- Natureza: Refere-se às coisas terrenas, ao visível, à terra, ao corpo humano e à criação em geral.
Antes de Tomás de Aquino, havia um equilíbrio em que a graça era exaltada de forma respeitosa e admirada. Contudo, Tomás propôs que o intelecto humano não havia caído completamente após o pecado original. Mas sabemos, segundo a Bíblia, que a queda foi total (Romanos 3:23). Esse pensamento abriu caminho para que a razão começasse a se sobrepor à graça, degradando-a.
A reforma protestante, no entanto, rejeitou as ideias aristotélicas e neoplatônicas que moldaram parte da teologia católica, reafirmando que a queda do homem foi completa e que apenas pela graça de Deus podemos ser salvos (Efésios 2:8-9). Afinal, se houvesse qualquer mérito humano, Cristo não precisaria ter se sacrificado na cruz.
Renascença e a Degradação da Graça
Com o tempo, a arte e a cultura passaram a refletir a degradação da graça. A Renascença, por exemplo, trouxe consigo uma visão humanista que frequentemente exaltava o homem acima de Deus. A imoralidade foi normalizada, e a graça foi substituída pela natureza. Como resultado, o homem tornou-se “secularizado”, ignorando seus pecados e vivendo conforme seus próprios desejos.
Esse processo é descrito como um movimento em que aquilo que está “abaixo” consome o que está “acima”. A graça foi devorada pela natureza, e o próximo alvo foi a liberdade. A liberdade, que deveria ser vivida com responsabilidade, foi corrompida, e o homem passou a ser apenas mais um elemento da natureza, sem propósito ou valor intrínseco.
Fé e Racionalidade: Outro Conflito
Após a liberdade, a fé também foi colocada em uma posição de inferioridade, corroída pela racionalidade. A fé passou a ser vista como loucura ou fanatismo. Essa luta contra os princípios de Deus é evidente na sociedade moderna, onde, mesmo com provas concretas da criação divina, o homem frequentemente rejeita a verdade (Romanos 1:20-21).
A Busca pelo Significado da Vida
Com a degradação da graça, da liberdade e da fé, surge a pergunta: por que viver?
Francis Schaeffer explora como a ausência de propósito pode levar o homem ao desespero. Alguns aceitam a ideia de que a vida não tem sentido e adotam um pessimismo irracional, enquanto outros acreditam que o acaso ou a evolução explicam nossa existência. A Bíblia, porém, nos revela que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, com um propósito claro: glorificá-Lo e desfrutar de Sua presença (Gênesis 1:27; Isaías 43:7).
Reflexões Finais
Este livro me fez perceber como, ao longo da história, o homem se afastou dos valores divinos e mergulhou em uma cultura de degradação e desespero. A sociedade atual, muitas vezes, exalta o que há de pior no homem e ignora as boas obras e os valores bíblicos. Como Cristo nos ensina: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5:16).
Minha recomendação é que você leia A Morte da Razão. É um livro desafiador, mas extremamente enriquecedor. Espero que ele provoque reflexões tão profundas em você quanto provocou em mim.
Um grande abraço e até logo!
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