Pular para o conteúdo principal

A Pessoa do "Como"


Há algum tempo, li um livro chamado Comece Pelo Porquê, de Simon Sinek. Nesse livro, o autor explora o conceito do “Porquê” e como ele molda organizações e indivíduos. Sinek distingue três tipos de pessoas em qualquer empreendimento: as do “Porquê”, as do “Como” e as do “O Que”.

Neste artigo, vou focar nas pessoas do “Como”, porque, ao longo da minha carreira, percebi que sou alguém que ajuda a implementar os “Porquês” de parceiros, amigos e sócios.

Minha Experiência Como Pessoa do “Como”

Sempre gostei de desenvolver e construir coisas. Ver uma ideia ganhar forma, observar os olhos brilhando das pessoas ao utilizarem o resultado final, é algo que sempre me trouxe satisfação.

Houve momentos em que também tive meus próprios “Porquês” e trabalhei em ideias originais. No entanto, percebi que minha verdadeira força estava em construir soluções baseadas nos “Porquês” de outras pessoas. Isso não significa que criticar, sugerir ou contribuir com ideias não seja importante. Pelo contrário, essas são atividades que precisamos realizar continuamente. Mas, no fim das contas, o “Porquê” é a força motriz que orienta o destino de projetos e organizações.

Exemplo 1: Gerenciador de Buckets S3

Durante uma reunião de desenvolvimento, discutíamos como resolver a questão dos acessos a um Bucket S3 da AWS. Muitas ideias surgiram: contratar uma solução, desenvolver um projeto externo, entre outras. Naquele momento, propus: “Por que não desenvolvemos nosso próprio gerenciador?”

A reação inicial da equipe foi de hesitação. Muitos estavam preocupados com prazos e tarefas já em andamento. Mesmo assim, decidi avançar sozinho na ideia.

Comecei com o básico:

-    Implementar o upload de arquivos.
-    Criar funcionalidades para edição, exclusão e gerenciamento.
-    Adicionar autenticação ao sistema.

Em aproximadamente uma semana, concluí a solução. Embora tenha ultrapassado as horas convencionais de trabalho, dediquei noites a aprimorar o projeto. Quando apresentei o resultado, a equipe ficou satisfeita, pois a solução economizou recursos significativos para a empresa. Vale destacar que a ideia inicial foi de um colega, mas, muitas vezes, uma ideia que não é executada é como um sonho sufocado.

Exemplo 2: Solução para Conformidade com a LGPD

Com a entrada da LGPD e outras regulamentações, surgiu a necessidade de uma ferramenta interna para atender aos requisitos de conformidade. Durante uma reunião, alguém sugeriu desenvolver uma solução própria, dado que a equipe já possuía parte do conhecimento necessário.

Na época, eu estava para sair de férias, mas decidi aproveitar uma semana para estudar novas tecnologias e criar um protótipo. Em cinco dias, trabalhando oito horas por dia, concluí a ferramenta e a apresentei à equipe. Novamente, o resultado foi útil e elogiado, mostrando como a execução é essencial para transformar ideias em realidade.

A Pessoa do “Como”: Mais que um Executor

Antes que alguém imagine que uma pessoa do “Como” é apenas um executor, quero desmistificar essa visão. Ser do “Como” envolve muito mais do que execução.

A pessoa do “Como” é também:

-    Modeladora: Ela desenha e estrutura o projeto.
-    Gestora: Coordena etapas, distribui tarefas e acompanha o progresso.
-  Idealizadora prática: Ela pensa na experiência dos usuários e nas funcionalidades necessárias para o sucesso da solução.

Ser um bom executor é valioso, mas ser uma pessoa do “Como” vai além disso. É sobre trabalhar em cada parte do sonho de alguém, transformando ideias em realidade.

Conclusão

Aprender sobre o papel das pessoas do “Porquê”, “Como” e “O Que” foi transformador para mim. Entendi que minha vocação está em ser um facilitador, alguém que transforma ideias em algo concreto e funcional. Como Simon Sinek explica, o “Porquê” é a bússola que orienta, mas o “Como” é o alicerce que dá sustentação e forma às ideias.

E você, onde se encontra nesse espectro? É alguém do “Porquê”, “Como” ou “O Que”? Compartilhe sua experiência!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Arquitetura de Computadores: Lembranças de um Fundamento Esquecido

Introdução: Um olhar para trás para entender o agora Talvez esteja ficando cada vez mais raro, mas vale a pena perguntar: você já parou para refletir sobre como o computador realmente funciona por dentro? Quando comecei meus estudos na área de tecnologia, por volta de 2008, um dos primeiros tópicos que exploramos era a estrutura e arquitetura dos computadores. Isso não era por acaso — era essencial entender como o hardware e o software se relacionavam. Muitas vezes, um simples programa precisava ser compilado e executado na mesma máquina, com a mesma arquitetura, para funcionar corretamente. Não havia tanta abstração como temos hoje. Recentemente, ao iniciar o curso de Ciência de Dados na Univesp, tive a oportunidade de revisitar esse tema. E me surpreendi ao perceber como muitos conceitos fundamentais continuam relevantes, apesar de estarem, em muitos casos, esquecidos no dia a dia de quem desenvolve software. Este artigo é um convite a revisitar esses fundamentos. Vamos juntos re...

Josias: Um Exemplo de Restauração e Obediência

A Paz, meus irmãos! Hoje gostaria de compartilhar com vocês uma reflexão sobre Josias, um dos reis que realizou ações emblemáticas em Israel. Sua história é narrada com profundidade no Segundo Livro de Reis, e suas atitudes são um exemplo poderoso de restauração espiritual e obediência à vontade de Deus. Vamos explorar o contexto histórico e as lições que podemos aprender com esse grande líder. O Contexto Histórico dos Reis de Israel Para entender a importância de Josias, precisamos voltar um pouco na história dos reis de Israel: Saul foi o primeiro rei, reinando por quase 40 anos. Esbozete, seu filho, reinou por aproximadamente 7 anos. Davi governou por 40 anos, seguido por Salomão, que também reinou por 40 anos. Apesar de Davi ser um homem segundo o coração de Deus (1 Samuel 13 … e versículo 14), ele permitiu que práticas pagãs começassem a se infiltrar em Israel. Salomão, por sua vez, se corrompeu ao final de seu reinado, introduzindo idolatrias e outros costumes abomináveis (1 Reis...

Corra em Direção à Ação: Reflexões Cristãs Sobre Liderança e Propósito

O capítulo 6 do livro Liderar é Simples, Mas Não é Fácil, do almirante William McRaven, apresenta o princípio “Corra em direção à ação”. Esse conceito ressalta a importância de assumir o protagonismo e colocar-se em movimento, mesmo diante de desafios. Em um trecho que grifei, ele diz: “Porque se você vai ser o rosto da solução, isso provavelmente significa que você teve uma parcela de culpa no problema. Boas lideranças entendem que as organizações terão desafios, e é por isso que você foi contratado para liderar.” Baseado nisso, convido você a refletir sobre um aspecto crucial da vida cristã: como agir com base nos princípios da Palavra de Deus. Ação e Protagonismo na História Bíblica Imagine o que teria acontecido se os discípulos não tivessem se deixado mover pelo Espírito Santo. Em Atos capítulo 2 e versículo 4, lemos: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.” A partir desse momento, eles foram tomados pelo Cons...