Entre o Porquê e o Como
Seguindo o conceito apresentado no livro Comece pelo Porquê, de Simon Sinek, quero explorar a perspectiva de ser uma pessoa do “Porquê”. No entanto, neste artigo, vou além: quero compartilhar minha experiência sendo tanto um agente do “Porquê” quanto do “Como”.
Em 2018, vivi uma experiência que despertou uma profunda angústia, mas que também me levou a idealizar e executar um projeto marcante. Espero que minha jornada inspire e traga reflexões sobre o valor das missões que assumimos, mesmo quando seus frutos não se concretizam como imaginado.
O Início: O Sonho e a Motivação
Tudo começou com um sonho perturbador: imaginei que meu filho mais velho havia sido sequestrado. Ao acordar, fui pesquisar sistemas que pudessem ajudar famílias que enfrentam essa situação. Fiquei surpreso ao descobrir que, apesar de existirem vários bancos de dados de desaparecidos, eles não eram integrados.
Além disso, bancos de dados de pessoas em situação de rua raramente são usados para auxiliar buscas de desaparecidos, apesar de sua potencial relevância. Essa falta de integração me motivou a criar um projeto que atendesse a essas necessidades e pudesse ser doado a alguma instituição interessada.
A Construção do Projeto
Comecei o desenvolvimento em 2018, utilizando Python, a linguagem que dominava na época. O projeto passou por várias fases e aprendizados:
Estrutura Inicial:
- Iniciei com uma arquitetura monolítica, mas a dividi em microserviços, principalmente por questões de custo. Segmentar o sistema em bases menores ajudava a reduzir despesas em longo prazo.
Funcionalidades:
- Um mapa interativo para identificar áreas com maiores índices de desaparecimento.
- Integração com um banco de dados de pessoas em situação de rua, verificando se elas estavam sendo procuradas como desaparecidas.
- Notificações automáticas enviadas por e-mail ou Telegram, conectando usuários interessados no projeto.
O sistema ficou ativo por cerca de um ano. Durante esse período, mantive a infraestrutura do meu próprio bolso, enfrentando desafios como o alto custo de algumas ferramentas (por exemplo, soluções de reconhecimento facial da AWS).
Aprendizados da Jornada
Apesar de o projeto não ter encontrado uma instituição que desse continuidade, os aprendizados foram imensuráveis:
- Reconhecimento facial: Explorei tecnologias como OpenCV e soluções da AWS, aprimorando meu conhecimento nessa área.
- Mapas e localização: Desenvolvi estratégias para visualizar regiões com maior índice de desaparecimento, algo que expandiu minha experiência em análise espacial.
- Interação com usuários: Aprendi muito ao observar como as pessoas usavam o sistema e como ele impactava suas buscas.
Disponibilizei o código-fonte, aberto para que outros o adaptassem e dessem continuidade, se desejassem.
Reflexão: O Valor da Jornada
Sei que muitos podem pensar: “Foi um grande projeto, mas não gerou resultados concretos.” Contudo, acredito que o sucesso não se mede apenas pelos resultados visíveis.
A jornada de idealizar, construir e aprender é, por si só, uma vitória. Esse projeto me permitiu explorar áreas que, até então, não havia tido a oportunidade de implementar na minha carreira. Ele me transformou em um profissional mais capacitado e em uma pessoa mais consciente do impacto que a tecnologia pode ter.
“O homem faz planos, mas é o Senhor quem guia os seus passos.” (Provérbios 16:9)
O Sucesso Indireto
Nem todo sucesso está atrelado a lucro ou funcionamento perfeito. Muitas vezes, o sucesso está nos estudos realizados, nas conexões feitas e nos aprendizados adquiridos ao longo do caminho. Mesmo em nossas falhas ou quedas, sempre há algo valioso a ser extraído.
Espero que minha experiência mostre que, independentemente do resultado final, o “Porquê” que nos move e a jornada que trilhamos têm um valor inestimável.
E você? Qual é o seu “Porquê”?
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