Pular para o conteúdo principal

Julgai Todas as Coisas: Uma Reflexão Baseada nas Escrituras

Uma Reflexão Baseada nas Escrituras

A paz, meus irmãos!

Durante uma noite tranquila, comecei a ler um dos livros que havia comprado. Confesso que muitas vezes escolho livros pelo tema ou pela simples curiosidade ao folheá-los, mas há momentos em que sou mais criterioso. Procuro saber onde o autor estudou, o que fez e qual é sua autoridade sobre o assunto. Hoje, acredito que perder tempo com livros ruins não vale a pena. Quanto mais cedo descartarmos aquilo que não edifica, melhor.


No entanto, este não foi o caso do livro que quero compartilhar com vocês. Trata-se de Julgai Todas as Coisas, de J.C. Ryle. Este livro aborda um tema que, para muitos cristãos, gera espanto: o ato de julgar.


O Chamado para Julgar


Muitos acreditam que tudo o que é dito diante de um púlpito ou altar é verdade absoluta. No entanto, as Escrituras nos orientam a julgar todas as coisas e reter o que é bom:

“Julgai todas as coisas; retende o que é bom.” (1 Tessalonicenses 5:21)


Se Paulo, com sua autoridade como apóstolo, nos deu esse ensinamento, quem somos nós para dizer o contrário? A Bíblia não nos proíbe de analisar, refletir ou buscar discernimento. Pelo contrário, somos incentivados a buscar clareza e validar o que ouvimos à luz das Escrituras.


Paulo escreveu essa exortação à igreja de Tessalônica, uma igreja que ele próprio havia fundado. Naquele momento, ele não estava mais presente como líder principal, e outros assumiram cargos e ações dentro da comunidade. Daí a importância de avaliar cuidadosamente o que é ensinado, para garantir que esteja de acordo com a Palavra de Deus.


O Problema das Interpretações Pessoais


Nem tudo que é apresentado como verdade corresponde ao que está claramente expresso na Bíblia. Muitas vezes, interpretações pessoais ou especulações tomam o lugar das Escrituras. É por isso que devemos nos aprofundar no estudo da Palavra, evitando ser conduzidos por opiniões desconectadas da verdade bíblica.

"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça.” (2 Timóteo 3:16)


No Antigo Testamento, algumas passagens podem parecer menos claras devido às limitações do hebraico antigo. Contudo, o Novo Testamento, escrito em aramaico e grego, oferece um maior refinamento na transmissão das mensagens de Cristo e dos apóstolos. Por isso, os reformadores enfatizaram: “Somente as Escrituras.”


Uma Conversa Pessoal Sobre Julgar


Lembro-me de uma conversa com meu pai, que se identifica como cristão de origem apostólica romana. Perguntei se ele já havia lido a Bíblia, e ele me disse que não, afirmando que baseava sua fé apenas no que o padre lhe ensinava.


Esse diálogo surgiu de um comentário dele que não se encontrava na Bíblia. Isso não é um problema exclusivo de uma denominação ou outra. O problema ocorre quando, como cristãos, deixamos de buscar a verdade diretamente nas Escrituras.


Vivemos em uma sociedade onde a maioria das pessoas é alfabetizada e tem acesso à Bíblia em diversas traduções e linguagens acessíveis. Portanto, não podemos usar o analfabetismo espiritual como desculpa. É nossa responsabilidade ler, estudar e compreender a Palavra de Deus.


O Peso da Responsabilidade


J.C. Ryle destaca que seria um erro grave não julgar o que ouvimos. Os mártires do passado sofreram perseguições e até deram suas vidas para que pudéssemos ter a Bíblia em nossas mãos. Rejeitar o estudo e a análise das Escrituras é negligenciar esse precioso legado.


Outro erro é acreditar que julgar demonstra falta de humildade. Na verdade, julgar com base nas Escrituras solidifica nossas convicções e fortalece nossa fé:

“Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes.” (Jeremias 33:3)


Satanás é astuto. Se não puder destruir, ele tentará corromper. Ele busca invalidar os ensinamentos dos profetas e desviar os líderes espirituais para que conduzam suas ovelhas ao erro. Portanto, precisamos pedir a orientação de Deus e do Espírito Santo para discernir e resistir às armadilhas:

“Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” (Tiago 1:5)


Conclusão


Julgar todas as coisas é um ato de obediência, não de orgulho. É nosso dever como cristãos analisar o que ouvimos e buscamos na Palavra de Deus a verdade. Como Salomão sabiamente escreveu:

“Clama por sabedoria, e levanta a tua voz por entendimento. Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.” (Provérbios 2:3-5)


Que possamos viver com esse compromisso, estudando a Bíblia, buscando a sabedoria de Deus e retribuindo o sacrifício dos mártires com uma fé enraizada na verdade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Resumo e Análise do Livro "Nascido Escravo", de Martinho Lutero

  Introdução Paz e graça, meus irmãos. Hoje eu gostaria de trazer para vocês um resumo, mas acima de tudo, uma análise do livro Nascido Escravo , de Martinho Lutero, editado por Clifford Pond e publicado pela Editora Fiel. Confesso que, ao iniciar a leitura desse livro, deparei-me com alguns conceitos que já havia encontrado no livro Os Cinco Pontos do Calvinismo , representados pelo acrônimo TULIP. Martinho Lutero inicia esta obra como uma resposta a algumas publicações feitas por Erasmo de Rotterdam. Erasmo defendia o livre-arbítrio, enquanto Lutero se opunha a essa ideia. Mas quais eram as bases para essa oposição? A primeira pergunta que encontramos logo no início do livro é: pode um ser humano, voluntariamente e sem qualquer ajuda, voltar-se para Cristo? Refletindo sobre essa questão e prosseguindo na leitura, percebi claramente o que Lutero queria expressar. Ora, se o ser humano, por sua própria capacidade mental e intelectual, fosse capaz de voltar-se a Deus, reverenciá-Lo e...

Josias: Um Exemplo de Restauração e Obediência

A Paz, meus irmãos! Hoje gostaria de compartilhar com vocês uma reflexão sobre Josias, um dos reis que realizou ações emblemáticas em Israel. Sua história é narrada com profundidade no Segundo Livro de Reis, e suas atitudes são um exemplo poderoso de restauração espiritual e obediência à vontade de Deus. Vamos explorar o contexto histórico e as lições que podemos aprender com esse grande líder. O Contexto Histórico dos Reis de Israel Para entender a importância de Josias, precisamos voltar um pouco na história dos reis de Israel: Saul foi o primeiro rei, reinando por quase 40 anos. Esbozete, seu filho, reinou por aproximadamente 7 anos. Davi governou por 40 anos, seguido por Salomão, que também reinou por 40 anos. Apesar de Davi ser um homem segundo o coração de Deus (1 Samuel 13 … e versículo 14), ele permitiu que práticas pagãs começassem a se infiltrar em Israel. Salomão, por sua vez, se corrompeu ao final de seu reinado, introduzindo idolatrias e outros costumes abomináveis (1 Reis...

Arquitetura de Computadores: Lembranças de um Fundamento Esquecido

Introdução: Um olhar para trás para entender o agora Talvez esteja ficando cada vez mais raro, mas vale a pena perguntar: você já parou para refletir sobre como o computador realmente funciona por dentro? Quando comecei meus estudos na área de tecnologia, por volta de 2008, um dos primeiros tópicos que exploramos era a estrutura e arquitetura dos computadores. Isso não era por acaso — era essencial entender como o hardware e o software se relacionavam. Muitas vezes, um simples programa precisava ser compilado e executado na mesma máquina, com a mesma arquitetura, para funcionar corretamente. Não havia tanta abstração como temos hoje. Recentemente, ao iniciar o curso de Ciência de Dados na Univesp, tive a oportunidade de revisitar esse tema. E me surpreendi ao perceber como muitos conceitos fundamentais continuam relevantes, apesar de estarem, em muitos casos, esquecidos no dia a dia de quem desenvolve software. Este artigo é um convite a revisitar esses fundamentos. Vamos juntos re...