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O Amor que Transforma

Reflexões sobre o Amor de Deus

Enquanto lia o livro O Poder do Espírito Santo, de Billy Graham, um pensamento tomou conta da minha mente: “Senhor, eu não sei amar. Ensina-me.” Essa reflexão ficou ainda mais intensa ao relembrar as palavras de Paulo em 1 Coríntios 13. Nesse capítulo, vemos uma descrição profunda e sublime do que é o amor: suas características, suas nuances, tudo que ele faz e é. É deslumbrante, mas, ao mesmo tempo, amedrontador. Tenho mais de 30 anos e, ao olhar para esse texto, não consigo deixar de perguntar: “Será que eu realmente aprendi a amar, Pai?”

O Amor de Cristo: Sem Razão, Apenas Amor

Quando penso no amor de Cristo, percebo algo que me desafia profundamente. Ele nos ama sem motivos aparentes. O amor humano geralmente nasce de algum motivo: admiramos a beleza de alguém, sua inteligência, sua bondade. Mas Cristo nos ama antes mesmo de existirmos, sem que tenhamos qualquer mérito ou qualidade que justifique esse amor.

Romanos 5:8 nos diz: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Isso é extraordinário! Ele não nos ama porque somos bons ou temos algo a oferecer. Ele nos ama simplesmente porque nos ama.

O Preço de um Amor Incondicional

Se somos ou éramos escravos do pecado, por que Cristo pagaria tão caro por nós? Ele deu a própria vida por algo que, aos olhos humanos, parecia não ter valor. Que amor é esse?

Pense em um exemplo: você pagaria um alto preço por um carro sinistrado que não tem valor de mercado? É assim que Cristo nos amou. Ele pagou com o preço de sangue, mesmo sabendo de nossas falhas e da nossa incapacidade de sermos perfeitos.

Esse amor é tão extraordinário que ultrapassa o entendimento humano. Em 1 João 4:10 está escrito: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.”

Comparando o Amor Humano com o Amor de Deus

Ao refletir sobre a natureza do amor, lembro-me de Mical, a filha de Saul. Em 1 Samuel 18:20, lemos que Mical amava Davi: “E Mical, a filha de Saul, amava a Davi.” No entanto, em 2 Samuel 6:16, vemos que esse amor mudou: “Mical, filha de Saul, olhou pela janela e, vendo o rei Davi que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.”

O amor humano, muitas vezes, é instável, condicionado pelas circunstâncias. Mas o amor de Deus é constante. Ele não nos despreza, mesmo quando pecamos. Ele odeia o pecado, mas continua nos amando. Esse amor nos chama ao arrependimento e à transformação.

Em 1 João 1:9, temos a promessa: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

O Amor de 1 Coríntios 13

Paulo nos dá um retrato do amor em 1 Coríntios 13:4-7:
"O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se vangloria, não se ensoberbece. Não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Quando leio esse texto, sinto que ainda tenho tanto a aprender. Percebo como o amor de Deus é perfeito e como, muitas vezes, o meu amor é falho. Por isso, oro: “Senhor, ensina-me a amar como Tu amas.”

Conclusão: O Amor que Tudo Transforma

O amor de Deus é a maior força transformadora que podemos experimentar. Ele nos amou primeiro, sem exigências, sem condições. Esse amor é o padrão que devemos buscar. Não é fácil, mas é o que Deus nos chama a fazer.

Termino com 1 João 4:19: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.”

Que possamos aprender, dia após dia, a amar como Cristo nos amou. Que o Espírito Santo nos ensine a amar verdadeiramente, sem egoísmo, sem limites, sem condições.

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